

O Cortiço
João Romão, dono de uma venda em Botafogo, faz de tudo para enriquecer: economiza até o último tostão, explora quem está por perto e ergue um cortiço que cresce como um organismo vivo. Lá dentro, lavadeiras, operários e imigrantes se amam, brigam e tentam sobreviver.
Do outro lado do muro, o comerciante Miranda observa tudo com inveja e desprezo. Um retrato cru, sensual e violento do Rio de Janeiro do século XIX.
De Aluísio Azevedo (1890).
Sobre o livro
O Cortiço, publicado em 1890, acompanha a ascensão de João Romão, um imigrante português que começa como empregado de uma venda em Botafogo e, à custa de economia extrema, pequenos golpes e da exploração de Bertoleza, constrói um cortiço que não para de crescer. Dentro dele vivem lavadeiras, operários, imigrantes e malandros, numa comunidade barulhenta, solidária e violenta. Do outro lado do muro mora o comerciante Miranda, rival de João Romão, que despreza e inveja aquele formigueiro humano.
Contexto
Aluísio Azevedo (1857–1913) é o principal nome do Naturalismo no Brasil, movimento inspirado em Émile Zola que tratava o ser humano como produto do meio, da raça e do momento histórico. O romance foi escrito nos anos da Abolição e da Proclamação da República e mostra o Rio de Janeiro se transformando: a cidade cresce, o dinheiro muda de mãos e os pobres se amontoam em habitações coletivas. O próprio cortiço funciona quase como um personagem vivo.
Personagens principais
- João Romão: dono da venda e do cortiço, obcecado por enriquecer a qualquer preço.
- Bertoleza: mulher escravizada que trabalha para João Romão acreditando ter comprado a liberdade.
- Miranda: comerciante rico, vizinho e rival de João Romão.
- Jerônimo e Piedade: casal português trabalhador cuja vida muda ao chegar ao cortiço.
- Rita Baiana: mulher alegre e sedutora, o centro das festas do cortiço.
- Firmo: capoeira, namorado de Rita Baiana.
- Pombinha: moça delicada, considerada "a flor do cortiço".
Por que ler hoje
O livro fala de desigualdade, moradia, racismo e da ambição de subir na vida, temas que continuam atuais. É cru, sensual e cheio de cenas coletivas, quase como uma novela de muitos núcleos.
Obra em domínio público. Texto com ortografia atualizada pela equipe MyFicNovel.




